Ainda sobre as Olimpíadas. Chegamos ao final da maior de todos os tempos com um aproveitamento não tão maior assim. Terminamos esse ano com o mesmo número de medalhas de Atlanta e com menos ouros que os jogos de 2004.
Eu andei lendo o blog do Neto e quis também colocar o meu ponto de vista. EU acredito que a conquista de medalha tem uma fórmula simples:
10(Talento + Treinamento) + Sorte = Medalha de Ouro
Para se conseguir talento, não tem segredo: Tem que garimpar. É a solução simples do porque temos tantos jogadores de futebol. Todo mundo se espelha, temos campos de futebol espalhados pelo Brasil e onde não temos, fazemos uma trave com um par de chinelos e uma bola.
Os clubes brasileiros fazem diversas peneiras no Brasil inteiro em busca das crianças de 12 anos que já demonstram uma intimidade sobrenatural com aquele objeto redondo de couro. Coloca essa criança para treinar nos momentos em que ela não está na escola. Lhe dão moradia, estudo, comida e estrutura para focar num único objetivo. Ser um grande jogador de futebol. O final dessa história é o que vemos hoje em dia. Grandes ídolos que ganham fortunas e glórias muitas vezes antes de atingir a maioridade. Mesmo aqueles que não viram ídolos de grandes clubes nacionais ou internacionais, conseguem uma estrutura para viver do esporte.
Quando falamos de treinamento, vemos o investimento que o Brasil fez nessas olimpíadas: a bagatela de R$ 600 milhões. Se investimos essa grana toda no principal evento e só voltamos com 15 medalhas, significa que cada medalha nos custou 40 milhões de reais. A gente vê na Globo as histórias gloriosas de atletas que não tinham nem dinheiro para trocar de faixa no judô e outras tantas de superação para se conquistar uma medalha, ou simplesmente representar seu país nos jogos olímpicos. Já passou da hora dessas histórias pararem de existir. A glória olímpica não deve ser tão sofrida assim. Não mais do que a própria dedicação do atleta em seu objetivo seja qual esporte ele escolha. Temos que ter estrutura suficiente para que tenhamos medalhas que sejam construídas aqui dentro e não como a do Cesar Cielo que treinou por 3 anos nos EUA pagando do próprio bolso e sem patrocínio. As empresas precisam parar de patrocinar o atleta só quando ele ganha um Panamericano ou pra fazer campanha antes dos jogos. O governo precisa parar de colocar a responsabilidade na empresa privada. Esse espírito tem que ir para as escolas. Condições de esporte decente para que essas sejam berçários de grandes atletas e peneiras para os clubes.
Quando olhamos esses dois fatores, vemos o quanto estamos errando. Num país com 187 milhões de pessoas só conseguimos 15 medalhas, enquanto países como Noruega, Etiópia, Jamaica, Ucrânia, Quênia e outros menos populosos conseguiram mais medalhas de ouro que nós. Mesmo aqueles países que ganharam menos medalhas, vemos que em termos populosos, descobriram mais vencedores que nós. Nosso melhor (ou pior) exemplo é a Argentina que com apenas 40 milhões de hermanos, conseguiram 6 medalhas.
Ou seja, 1 em cada 6 milhões de argentinos foram medalhistas olímpicos em Pequim. Do lado de cá, apensa 1 em cada 12 milhões foi feliz e subiu ao pódio. Só o dobro!
Pra terminar, temos sempre as exceções e elas aparecem sempre com essa fórmula. Os EUA, apesar de perderem, usam essa fórmula há anos já que Michael Phelps foi responsável por 8 medalhas de ouro americanas. Aliás, você sabia, que se ele fosse um país, estaria na 10ª colocação? Um cara, 7 posições a frente do Brasil.
Vergonha! E tenho dito!


