Posts com Tag ‘Desabafo’

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Olimpíadas de Pequim

Agosto 25, 2008

Ainda sobre as Olimpíadas. Chegamos ao final da maior de todos os tempos com um aproveitamento não tão maior assim. Terminamos esse ano com o mesmo número de medalhas de Atlanta e com menos ouros que os jogos de 2004.

Eu andei lendo o blog do Neto e quis também colocar o meu ponto de vista. EU acredito que a conquista de medalha tem uma fórmula simples:

10(Talento + Treinamento) + Sorte = Medalha de Ouro

Para se conseguir talento, não tem segredo: Tem que garimpar. É a solução simples do porque temos tantos jogadores de futebol. Todo mundo se espelha, temos campos de futebol espalhados pelo Brasil e onde não temos, fazemos uma trave com um par de chinelos e uma bola.

Os clubes brasileiros fazem diversas peneiras no Brasil inteiro em busca das crianças de 12 anos que já demonstram uma intimidade sobrenatural com aquele objeto redondo de couro. Coloca essa criança para treinar nos momentos em que ela não está na escola. Lhe dão moradia, estudo, comida e estrutura para focar num único objetivo. Ser um grande jogador de futebol. O final dessa história é o que vemos hoje em dia. Grandes ídolos que ganham fortunas e glórias muitas vezes antes de atingir a maioridade. Mesmo aqueles que não viram ídolos de grandes clubes nacionais ou internacionais, conseguem uma estrutura para viver do esporte.

Quando falamos de treinamento, vemos o investimento que o Brasil fez nessas olimpíadas: a bagatela de R$ 600 milhões. Se investimos essa grana toda no principal evento e só voltamos com 15 medalhas, significa que cada medalha nos custou 40 milhões de reais. A gente vê na Globo as histórias gloriosas de atletas que não tinham nem dinheiro para trocar de faixa no judô e outras tantas de superação para se conquistar uma medalha, ou simplesmente representar seu país nos jogos olímpicos. Já passou da hora dessas histórias pararem de existir. A glória olímpica não deve ser tão sofrida assim. Não mais do que a própria dedicação do atleta em seu objetivo seja qual esporte ele escolha. Temos que ter estrutura suficiente para que tenhamos medalhas que sejam construídas aqui dentro e não como a do Cesar Cielo que treinou por 3 anos nos EUA pagando do próprio bolso e sem patrocínio. As empresas precisam parar de patrocinar o atleta só quando ele ganha um Panamericano ou pra fazer campanha antes dos jogos. O governo precisa parar de colocar a responsabilidade na empresa privada. Esse espírito tem que ir para as escolas. Condições de esporte decente para que essas sejam berçários de grandes atletas e peneiras para os clubes.

Quando olhamos esses dois fatores, vemos o quanto estamos errando. Num país com 187 milhões de pessoas só conseguimos 15 medalhas, enquanto países como Noruega, Etiópia, Jamaica, Ucrânia, Quênia e outros menos populosos conseguiram mais medalhas de ouro que nós. Mesmo aqueles países que ganharam menos medalhas, vemos que em termos populosos, descobriram mais vencedores que nós. Nosso melhor (ou pior) exemplo é a Argentina que com apenas 40 milhões de hermanos, conseguiram 6 medalhas.

Ou seja, 1 em cada 6 milhões de argentinos foram medalhistas olímpicos em Pequim. Do lado de cá, apensa 1 em cada 12 milhões foi feliz e subiu ao pódio. Só o dobro!

Pra terminar, temos sempre as exceções e elas aparecem sempre com essa fórmula. Os EUA, apesar de perderem, usam essa fórmula há anos já que Michael Phelps foi responsável por 8 medalhas de ouro americanas. Aliás, você sabia, que se ele fosse um país, estaria na 10ª colocação? Um cara, 7 posições a frente do Brasil.

Vergonha! E tenho dito!

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Papo de churrascaria

Julho 14, 2008

Conversa na churrascaria entre garçons, picanhas, fraldinhas e, acreditem, sushi.

Elisa: Mas Matheus, se você gosta tanto dela, por que você não corre atrás?

Matheus: Não é tão fácil assim Elisa…

E: Por que não?

M: As últimas vezes que conversamos sobre isso não deu muito certo. Eu magoei ela demais. E ela tem razão de não me querer por perto. Ela sempre me disse isso – que se um dia terminássemos, nunca seríamos amigos.

E: Mas vai conversar com ela. Aparece lá na casa dela de surpresa.

M: Eu não sei mais nada da vida dela. Só sei que se mudou, mas não sei para onde.

E: Só isso?

M: Um amigo dela me disse ontem que ele acha que ela não está feliz lá.

E: E você não vai fazer nada?

M: Estou tentando descobrir mais algumas coisas antes de tomar uma atitude.

E: Que coisas?

M: Se ela está namorando, se está gostando de lá. Essas coisas…

E: E como você vai descobrir isso?

M: Não faço a mínima idéia.

E: …

M: Acontece Elisa, que eu não sei o que é pior. Resolver logo de uma vez, ou ficar sonhando com o melhor momento para essa conversa acontecer. O momento em que ela possa ver que mesmo com todas as besteiras que eu fiz, que eu me arrependi. Que eu a quero de volta e que a gente volte a namorar. No fundo, eu tenho medo dela.

E: Medo?

M: Sim, medo. Ela não faz idéia do poder que ela tem sobre mim. Eu a admiro tanto, que eu tenho medo. Medo de ser rejeitado definitivamente por quem eu acredito ser a mulher da minha vida. Quando mandei um e-mail para ela no início do ano passado e ela respondeu dizendo que estava bem e que não queria voltar, aquilo me partiu o coração. Fiquei chorando meses relendo aquele e-mail.

E: Então o que você vai fazer?

M: Não sei. Descobrir alguma coisa. Algum sinal que me dê motivos para investir novamente. Além do mais, ela está muito longe.

E: Qual era a distância entre Santos e Ribeirão mesmo?

M: 400km.

E: E você ia para lá todo final de semana?

M: Sim.

E: E você acha que ela não valhe a pena?

M: …

E: Ein?

M: Mais que todas as outras juntas.

Algumas fichas demoram para cair. A minha demorou uma semana.

PS: Obrigado “Elisa”. Às vezes precisamos de verbalizar (e depois escrever) sentimentos que depois de ouvidos (e lidos) nos parecem realmente bobos. Aguarde aqui neste bat-local cenas dos próximos capítulos.

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Não existe ato altruísta

Junho 20, 2008

Joey é um gênio. Em uma simples frase ele consegue definir exatamente como caminha a humanidade. “Não existe ato que não seja egoísta”. O ser humano é egoísta por natureza. Nem mesmo a Phoebe, personagem toda altruísta conseguiu fugir desta regra.

Eu sou egoísta. Ouvi isso de algumas pessoas essa semana. Egoísta, metido e convencido. Se ser seguro de si é sinônimo para metido e convencido, ok. Mas egoísta todos somos.

“Altruísmo: amor desinteressado ao próximo; filantropia, abnegação” – Dicionário Houaiss

Me desculpem, mas isso é tão possível quanto a Anarquia. Nenhum amor pode ser desinteressado. Joey prova isso no video acima quando prova para Phoebe que se ela ajuda alguém porque faz bem a ela, já não é mais um ato de altruísmo. Ela só faz o bem porque lhe faz bem.

Aí me lembro que ouvi uma vez: “O Matheus faz as coisas, mas depois exige de volta.” Opa! Espera um pouco. Deixa eu ver se entendi: Eu faço alguma coisa para ajudar alguém e quando preciso de ajuda/atenção/qualquer coisa e a pessoa não faz EU SOU O EGOíSTA?

No meu mundo, eu trabalho e em troca ganho dinheiro, eu amo porque ganho em troca o amor da outra pessoa, eu vou a um programa que não estou com vontade porque gosto de alguém e espero que um dia quando eu precise, possa contar com ela para o meu programa de índio.

O mundo é um constante escambo. Você aprende a negociar isso com seus pais, seu irmão mais velho, seus amigos do colégio, sua namorada, até o seu chefe.

O que me incomoda em ser chamado de egoísta é porque sou colocado em um patamar diferente daquele(a) que me chamou. E isso não é uma verdade. Nem uma família, a mais sólida de todas as relações sobrevive sem a troca.

Isso não diminui em nenhum momento o amor, o encanto de uma bela amizade ou um namoro. Ninguém faz algo pelo outro se não gostar dele. Mas sinto avisar vocês que não existe amizade e amor via única. E tenho dito.